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Barbaridade

Eu me divirto, confesso, com as ações de merchandising que tomam conta de todos os programas de nossa TV.
Todas são tão críveis como uma nota de R$13,50.
Mas são assustadoramente eficientes. Tem a história do controle remoto, o "zapear", que permite ao telespectador, no momento do intervalo comercial, mudar para cá e para lá. Talvez por isso a eficiência do "merchan", como carinhosamente é denominada essa ação no mercado publicitário.
A Luciana Gimenez, por exemplo, atinge seu momento máximo de intérprete quando vai para o cantinho do merchan e nos fala, de coração, sobre qualquer coisa.
O todo nosso Ronnie, então, hors concours.
Ana Maria Braga arrasa.
Gugu, um mestre.
Faustão, tremenda credibilidade.
Gilberto Barros não deixa dúvida sobre dúvida ou vice-versa sobre qualquer coisa que avaliza.
Hebe, para dizer o mínimo: uma gracinha.
Para esclarecer: o que me diverte é justamente a pausa que todos fazem. O mundo pára. Estavam discutindo a fome na África - pouco provável mas serve como exemplo hiperbólico - mas aí o apresentador ou apresentadora faz uma expressão séria, preocupada, pode até balançar a cabeça como se dissesse "que tristeza, gente". Um suspiro nessa hora é providencial. O suspiro vem, o olhar passeia pelo público e, com maestria, ele(a) sugere uma mudança de assunto:
- Pois é. Mas ainda bem... ainda bem que a gente pode contar com pessoas como o Cláudio, o meu amigo Cláudio, dono do laboratório ERVAVIVA que há mais de dois anos tem pesquisado alucinadamente os maravilhosos e até então desconhecidos benefícios da Jaca do Sertão. Tudo bem com você, Cláudio?
- Tudo bem, tudo ótimo e a cada dia melhor, sempre metendo o pé na Jaca!
- Que loucura essa sua descoberta, Cláudio! A Pé-Terapia com a Jaca do sertão é coisa única no mundo, certo?
- Totalmente única. E você sabe que nós do laboratório ERVAVIVA descobrimos os poderes da Jaca do Sertão por acaso.
- Não me diga, rapaz!
- Numa viagem de pesquisas... a gente viaja muito por esse Brasil que é tão rico em ervas curativas... sem querer eu enfiei o pé na jaca.
- Na Jaca do Sertão?
- Claro. Estávamos no Sertão, daí o nome.
- Me conta tudo.
- Na hora eu nem liguei. Mas passados três dias, a minha frieira sumiu. Eu tinha problemas de varizes, despareceram. O meu colesterol foi lá pra baixo, o ruim; e o bom, lá pra cima. Tinha gota, ácido úrico, zerou. A memória, um azougue e...
- Deixa eu te interromper um pouquinho. Gente, eu conheço o Cláudio há muitos anos, sempre soube da frieira crônica dele, o colesterol, a gota... JACA do SERTÃO! Liga agora. E tem promoção, né, Cláudio?
- Para os primeiros 700 clientes, a gente vai estar dando de brinde o Toucinho Liofilizado redutor da Celulite do qual eu vou estar falando pra vocês numa outra oportunidade.
- JACA DO SERTÃO! Enfie o pé nessa jaca e seja mais feliz. E vamos voltar pra Guerra do Iraque...


Márcio Alemão é publicitário, roteirista, colunista de gastronomia da revista Carta Capital, síndico de seu prédio, pai, filho e esposo exemplar

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Use sua consciência


Fila de votação: a maioria dos eleitores não quer um governo que cause vergonha
Pesquisas eleitorais, gostam de dizer os diretores de institutos, são como fotografias de um momento. Antes do primeiro turno da eleição presidencial, as "imagens" obtidas por esses levantamentos indicavam que, apesar da gradativa perda de cacife de Lula, os candidatos da oposição, juntos, não ultrapassariam o total de votos do atual presidente. Pois sucedeu o contrário. Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque arrebanharam 51,1% dos sufrágios, contra 48,6% de Lula. Além disso, Alckmin conseguiu milhões de votos a mais do que prognosticavam as pesquisas, atingindo a segunda maior votação jamais recebida por um político brasileiro, em números absolutos, num primeiro turno de eleição presidencial. Dessa discrepância entre os levantamentos e a realidade, há duas lições a tirar, e nenhuma delas significa uma condenação das pesquisas. A primeira lição é que, realmente, elas são como fotografias de um momento. A segunda é que esse momento pode sofrer uma reviravolta tal que o instante seguinte já é o seu oposto. Foi o que ocorreu às vésperas do último dia 1º.
A verdade é que a quantidade de eleitores que mudaram de idéia sobre em quem votar, horas antes do pleito, foi suficiente para levá-lo a uma segunda rodada. Isso demonstra a capacidade dos brasileiros de não se deixar instrumentalizar e de se indignar. A maioria deles, como comprovou o resultado das urnas, não quer um país onde as autoridades responsáveis pela manutenção das leis e pelo respeito à ética são as primeiras a quebrá-las. Também não quer um governo que cause vergonha e subverta a regra rudimentar, segundo a qual o crime não pode e não deve compensar. É bom para o Brasil que os eleitores tenham mantido a capacidade de julgamento. Alguém disse que a política não é uma ciência exata, e sim uma arte. Faltou dizer que o grande artista, no caso, é quem tem o direito de destituir os maus e colocar os bons no poder, para tentar melhorar o quadro geral. Você, eleitor.

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Os Picoles de chuchi


Os picolés de chuchu culturais
Como na política, o mundo dasartes e do entretenimento está cheiode figuras eficientes, mas insossas....
Marisa, Barreto, Samuel, Groisman e Sarney (a partir da esq.): o povo consome chuchu
A expressão "picolé de chuchu" é usada na política brasileira para designar governantes que se destacam pelo pragmatismo, pela competência – e pela falta de sal. Ela foi criada pelo colunista José Simão, do jornal Folha de S.Paulo, para referir-se a um ícone da categoria, o governador paulista Geraldo Alckmin. Mas não há motivo para restringir o uso da expressão à política. Há uma brigada numerosa de picolés de chuchu na cultura nacional: são músicos que não saem das paradas, cineastas que produzem filmes campeões de bilheteria, apresentadores de televisão com bons índices no Ibope e escritores que freqüentam as listas de best-sellers – todos sem sabor algum. Para os políticos, ser picolé de chuchu é positivo. Como são figuras bem-vindas por trazer mais racionalidade e menos pirotecnia à gestão pública, a falta de sabor é apenas um detalhe. Na cultura, isso não é tão abonador. Nada mais melancólico que um artista insosso.
Os picolés de chuchu proliferam na música pop. São artistas que sabem jogar para a platéia. Eles emplacam hits nas rádios e lotam shows. Mas são comportados demais. Definitivamente, não se enquadram naquela velha tradição contestadora da música brasileira – uma tradição que pode ser muito irritante, mas não tem sabor de chuchu. Os principais expoentes da categoria são os mineiros do Skank. Liderado pelo cantor Samuel Rosa, que faz o gênero cara normal, o grupo estourou nos anos 90 com letras sobre futebol e belas garotas. Hoje, é campeão nas paradas de campainhas de celulares – o que diz tudo sobre o que é ser um picolé de chuchu.
Há variantes do estilo mais difíceis de detectar. A cantora Marisa Monte, por exemplo. Talvez ninguém mais que ela mostre o lado positivo do picolé de chuchu. Marisa é o máximo da eficiência na hora de cuidar dos negócios, e emplaca um sucesso atrás do outro. Seus discos são de bom gosto, seus clipes são de bom gosto, seus shows são de bom gosto – até mesmo sua discrição é de bom gosto. Quem a vê ao vivo, no entanto, percebe o lado insosso por trás da produção sempre apurada. Suas apresentações são estranhamente desapontadoras – os movimentos desajeitados, os discursos chatíssimos sobre um certo Gentileza, só põem em evidência o seu refinamento vazio. Além disso, Marisa está cada vez mais autocomplacente. Ela desperdiça seu talento vocal em bobagens do tipo Já Sei Namorar, que fez à frente dos Tribalistas. Uma vez, vá lá. Mas, se continuar nessa trilha, ela corre o risco de perder o sabor de vez.
A televisão é outro campo fértil para os picolés de chuchu. Um dos mais notórios vai ao ar nas madrugadas de sábado da Rede Globo. À frente do programa Altas Horas, Serginho Groisman é um apresentador tarimbado. O ibope de seu programa é bom para o horário e, apesar de cinqüentão, Groisman se entende com os jovens. Difícil é imaginá-lo segurando a peteca num horário que exija mais calor e animação, como as tardes de domingo na TV. Gugu Liberato e Faustão são apelativos e estridentes – uns chatos, enfim. Mas não são picolés de chuchu. A televisão é, ainda, um celeiro de atores tão bonitos quanto sem graça. O casal Giovanna Antonelli e Murilo Benício compõe uma espécie de sorvetão de chuchu em embalagem de 2 litros. Mas há muitos outros nessa galeria: Alinne Moraes, Bruno Gagliasso, Carolina Dieckmann, e por aí afora.
O cineasta Bruno Barreto é um exemplo do poder de sedução que os picolés de chuchu podem exercer. Ele dirigiu Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), até hoje o filme recordista de bilheteria no país. Desde então, fez carreira em Hollywood e tem sido competente na hora de conseguir dinheiro e atores famosos para suas produções. A mais recente delas, Voando Alto, teve participação de uma ganhadora do Oscar, a atriz Gwyneth Paltrow – e é também uma amostra de como seu cinema se tornou anódino. Isso, apesar de Barreto ser um diretor que acalenta pretensões autorais.
O marasmo na literatura brasileira é tão grande que até os picolés de chuchu estão em falta. Mas isso não quer dizer que o estilo não tenha raízes antigas nessa área. Mesmo um poeta celebrado como Carlos Drummond de Andrade enveredou por essa trilha. Até a velhice, produziu copiosamente. Mas deixou a coloquialidade, uma marca registrada de seus versos e crônicas, deslizar mansamente para a banalidade. Como figura pública, Drummond evitava polêmicas e endossava com elogios a má poesia escrita à sua volta, como notou certa vez o crítico Mário Faustino. Tornou-se desprovido de acidez – um traço característico dos picolés de chuchu culturais. Para encontrar um picolé desse tipo na literatura de hoje, deve-se seguir o endereço da Academia Brasileira de Letras. O caso do senador e imortal José Sarney é emblemático. O ex-presidente não faz esse estilo na política. Na literatura, contudo, é um exemplo rematado. O realismo fantástico que esgrime em obras como Saraminda é tão placidamente sensabor que o credencia à categoria. Apesar disso, Sarney tem êxito editorial. O povo consome chuchu.

Ethevaldo Siqueira


Ethevaldo Siqueira
Ethevaldo Siqueira descreveu com clareza e precisão sucessivas revoluções tecnológicas. Muitas delas ele antecipou para seus leitores. Aos 72 anos, continua um arguto caçador de tendências no campo das inovações, como mostra no livro 2015 – Como Viveremos. Na semana passada, conversou com o repórter Carlos Rydlewski.
O QUE MAIS O FASCINA NO MUNDO DA TECNOLOGIA?A rapidez e a intensidade das mudanças. Hoje, o meu computador pessoal tem capacidade de processamento dez vezes maior que a dos computadores usados pela Nasa, em 1969, para lançar a Apolo 11, uma missão tripulada à Lua. É inacreditável.
QUAL O MAIOR SALTO TECNOLÓGICO QUE O SENHOR TESTEMUNHOU?Foi o início da era digital em substituição à analógica, na segunda metade do século XX. Essa mudança permitiu que, sem exagero, o mundo pudesse caber no computador. Com a digitalização, imagens, músicas, gráficos e até bate-papos telefônicos se tornaram compatíveis com a linguagem dos computadores. Nicholas Negroponte, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), disse que foi aí que passamos do mundo dos átomos para o mundo dos bits.
QUAL FOI A INOVAÇÃO MAIS ARREBATADORA?A internet. Em 1990, era usada em vinte países por 35 000 pessoas. No fim da década, atingia 226 países e 560 milhões de pessoas. Hoje, tem 1,5 bilhão de usuários. Nada se expandiu de maneira tão avassaladora, rápida e dominante.
QUAL A PRINCIPAL ALAVANCA DAS TRANSFORMAÇÕES NA ERA DIGITAL?O transistor, de 1947, está para as conquistas modernas assim como a bússola e o astrolábio estiveram para as grandes navegações. A tecnologia só produziu esse pacote revolucionário, com impactos econômico, social e cultural, por ter criado ferramentas rápidas, pequenas e cada vez mais baratas. O transistor é a base de tudo por ter combinado estes três elementos: rapidez, miniaturização e economia.
O SENHOR TORNOU-SE DEPENDENTE DE ALGUM DOS NOVOS APARELHOS?O celular. Tive 54 celulares em doze anos. Eles são a síntese de um aspecto vital do sucesso dos eletrônicos: cada vez mais recursos a preços mais baixos. Hoje, dos 65 milhões de aparelhos existentes no Brasil, 80% estão nas mãos das classes C, D e E. Isso é democracia.
POR QUE PREVER COMO SE VIVERÁ NO ANO DE 2015, E NÃO NO ANO 2020 OU 2100?O futuro nos encanta, mas os cientistas não se arriscam a falar com segurança sobre um horizonte maior que dez anos. Em vinte anos, podem surgir tecnologias hoje imprevisíveis que mudariam a face do que conhecemos.
QUAL A SUA ESTRATÉGIA PARA ESPIAR O FUTURO?Certa vez, Pelé explicou seu segredo: "Corro para onde a bola vai estar", disse. O que fiz foi entrevistar 350 pessoas para saber onde a bola estará.
QUAL O PERSONAGEM MAIS INTERESSANTE?Sempre achei especial o Arthur C. Clarke (autor de 2001 – Uma Odisséia no Espaço). Eu o conheci em 1979 e houve uma forte empatia. É um gênio como cientista e como escritor.
ONDE AS TRANSFORMAÇÕES TECNOLÓGICAS SERÃO MAIS SENTIDAS?Na casa das pessoas. As casas são as "cavernas high-tech". A individualidade e o isolamento das pessoas nas suas casas definem um nicho. Já está em testes um home theater com doze canais. É possível ouvir um instrumento por canal. Ou seja, reproduzir doze instrumentos separados, como uma orquestra de câmara. Em cinco anos, graças à queda dos preços, os home theaters devem se popularizar.
O SENHOR FOI UM DOS POUCOS A DESAFINAR O CORO DOS QUE DEFENDIAM A RESERVA DE MERCADO NA INFORMÁTICA. POR QUÊ?E fui massacrado por isso. A reserva aglutinava todos: militares, comunistas e intelectuais. Mas era uma besteira. Lá fora os equipamentos eram bons e baratos. Aqui, eram porcarias. E caras. Prevalecia a ideologia. Eu pensava no consumidor. Hoje, o Brasil ainda tem de se cuidar. É preciso integrar-se ainda mais ao mundo das tecnologias da informação e da comunicação. Nos próximos dez anos, elas continuarão provocando transformações mais intensas que as revoluções econômicas (agrária, comercial e industrial). Ai de quem perder esse trem. O abismo entre os incluídos e os excluídos será imenso. Talvez intransponível

fora estes falsos



Pagos para elogiar
Como orelhas, introduções e prefáciosservem ao compadrio literário... Luis Fernando Verissimo
Obras que elogiou: Era uma Vez FH, de Chico Caruso, Figurino – Uma Experiência na Televisão, de Lisette Guerra e Adriana Leite, A Engenhosa Letícia do Pontal, de Carlos Nejar, A Noite dos Cabarés, de Juremir Machado da Silva.
"Juremir reúne na mesma cabeça, e no mesmo estilo, a diligência do repórter, a curiosidade do antropólogo e a acuidade do observador cultural."



Um livro só merece uma introdução, afirmou o poeta americano T.S. Eliot, quando tem qualidade suficiente para dispensar introduções. Essa é uma lição que raros escritores brasileiros absorveram. Longe de serem acessórios dispensáveis a um bom livro, introduções ou orelhas assinadas são com freqüência moeda de troca do compadrio literário. O autor do elogio confirma seu prestígio cultural e ainda ganha um troco das editoras. O escritor elogiado recebe um empurrãozinho na carreira. Só perde o leitor ingênuo, que acredita no aval dos medalhões literários. Luis Fernando Verissimo, um dos escritores brasileiros mais requisitados para prefácios e orelhas, define bem o desafio dessa atividade: "A única arte, ou dificuldade, é escrever algo favorável sobre um trabalho que não entusiasma sem parecer condescendente ou falso. Em geral, isso é feito para ajudar alguém que está começando."
Como gênero literário, a introdução (ou prólogo, ou prefácio) tem lá sua dignidade. Samuel Johnson, o grande crítico inglês do século XVIII, reuniu uma série de prólogos em um livro que se tornaria clássico, Vidas dos Poetas Ingleses. Já no século passado, o filósofo francês Jean-Paul Sartre também se arriscou nessa seara. Seu Saint Genet deveria ser uma introdução às obras do dramaturgo-ladrão Jean Genet, mas a prolixidade de Sartre extrapolou todas as medidas: com quase 600 páginas, o prefácio virou livro independente. Mais conciso, o argentino Jorge Luis Borges era autor de prólogos primorosos.
A orelha tem menos tradição, até por ser uma invenção mais recente da indústria editorial (no Brasil, disseminou-se a partir dos anos 1940). A praxe é que a orelha não traga assinatura, mas volta e meia um figurão concede seu nome para esses textinhos. Nos Estados Unidos, Stephen King, o rei do horror barato, encontrou uma vocação paralela escrevendo elogios de orelha para autores menos célebres. No Brasil, Jorge Amado era conhecido pela prodigalidade dos elogios que distribuía em orelhas e prefácios. Hoje, entre os nomes mais costumeiros nesses textos estão Verissimo, Carlos Heitor Cony, Ruy Castro e Zuenir Ventura. As editoras pagam entre 500 e 1.500 reais por uma orelha ou prefácio. A motivação atrás do elogio, porém, não é só financeira: o que interessa é dar aquela força para os amigos. Às vezes, é claro, o feitiço vira contra o feiticeiro: em 1991, Verissimo assinou a orelha de A Noite dos Cabarés, do jornalista Juremir Machado da Silva, hoje seu inimigo jurado – os dois brigaram depois de Juremir ter questionado, em sua coluna no jornal Zero Hora, a coragem política do pai de Luis Fernando, o escritor Erico Verissimo, durante a ditadura militar.
Carlos Heitor Cony
Obras que elogiou: A Porta, de Heloisa Seixas, Entre Ossos e a Escrita, de Maitê Proença, A Dor de Cada Um, de Antonio Olinto, Amizade sem Fim, de Renato Aragão.
"Como admirador do homem Renato Aragão, desejo saudá-lo como escritor, certo estou de que Amizade sem Fim pode figurar com mérito e dignidade na prateleira nobre da literatura brasileira." Um exemplo extremo de compadrio é a coleção Anjos de Branco, série de livros patrocinada pelo Conselho Federal de Enfermagem para inflar a notoriedade literária da categoria. Os imortais da Academia Brasileira de Letras estão entre os mais entusiasmados participantes. Antonio Olinto e Arnaldo Niskier, não contentes em figurar como autores da série, também já fizeram prefácios e orelhas para os colegas. Carlos Heitor Cony ainda não escreveu seu livro para a coleção, mas já deu sua inestimável colaboração elogiando as obras de Antonio Olinto e Renato Aragão (ele mesmo: o Didi, de Os Trapalhões). Em uma crônica publicada há alguns anos, Cony conta que certa vez estava escrevendo um prefácio para o livro de um amigo quando perdeu o texto por causa de um problema no computador. Como o livro era ruim, decidiu que não escreveria mais o prefácio. Um bom vírus teria salvado Cony de algumas páginas constrangedoras. Mais importante, teria poupado o leitor de muita enganação.


O motor do Mundo

Por Gabriela Carelli
O motor do mundo
O historiador inglês defende
que a criatividade é hoje a arma
mais poderosa para o progresso
das nações

O inglês Paul Johnson é um dos mais produtivos historiadores da atualidade. Em seus mais de quarenta livros publicados, já se debruçou sobre grandes temas como a história das religiões e do século XX. Observador arguto da cena internacional, provoca polêmica nos artigos que escreve para as revistas Forbes e The Spectator pelo entusiasmo com que fustiga as esquerdas com sua verve franca e elegante. Aos 77 anos, Johnson acaba de lançar mais um livro, Os Criadores, um mergulho na vida de dezessete personalidades criativas da história, de Shakespeare a Walt Disney. O objetivo da obra, a segunda de uma trilogia iniciada com Os Intelectuais, em 1988, e que terminará com a publicação em breve de Os Heróis, é tentar entender o que ele considera a característica mais importante do homem, a criatividade. "Só a criatividade pode garantir o progresso. O problema é que o homem tem uma propensão negativa a encontrar razões científicas ou morais para frear a criatividade, seja na economia, na política ou nas artes", diz Johnson nesta entrevista a VEJA.
Veja – O senhor escreveu que o desenvolvimento social e tecnológico humano não avançou tanto quanto poderia por causa da eterna batalha entre duas forças antagônicas do homem: sua criatividade e sua capacidade de crítica e destruição. Como assim?
Johnson – Os seres humanos são naturalmente criativos. Amam criar. Também são apaixonados pela destruição e pela crítica. Acredito que todas as artes – sendo que considero formas de arte a política, o desenvolvimento tecnológico, econômico e social, assim como a pintura e a literatura – necessitam dessas duas forças antagônicas. É a tese, a antítese e a síntese. Mas é vital que a criatividade, a tese, supere seu adversário e vença, pois só ela pode garantir o progresso. Não tenho dúvida de que, se houvesse apenas a criatividade, a humanidade teria avançado muito mais rapidamente.
Veja – O senhor poderia citar exemplos de forças destrutivas que impediram um avanço maior da nossa civilização?
Johnson – O exemplo mais primário disso é o marxismo. Marx compreendeu mal o capitalismo, foi desonesto com as evidências e sua contribuição para o mundo foi totalmente negativa. Graças a ele e a outros pensadores, por mais de um século muitos países perderam a chance de crescer economicamente. Seus povos deixaram de ter acesso à informação e à liberdade, fundamentais para o processo criativo, milhares de pessoas foram mortas injustamente e muito dinheiro foi jogado fora em vez de ser usado para a melhoria da qualidade de vida. Não há absolutamente nada a dizer em favor do marxismo.
Veja – O senhor afirma que o homem é propenso a encontrar razões científicas ou morais para frear a criatividade. O que o leva a agir dessa forma?
Johnson – O medo. Esse é, com certeza, o maior estimulador do atraso. É o medo, por exemplo, que impede muitos países de usar energia nuclear de forma consciente em substituição a outras fontes de energia. Por causa de pretensos defensores da humanidade, impediu-se a construção de usinas nucleares nos Estados Unidos e na Inglaterra. Se bem usada, essa energia poderia minimizar os impactos energéticos do crescimento econômico da China e da Índia, que provocaram escassez de petróleo.
Veja – Os chineses e os indianos são, hoje, mais criativos do que os americanos?
Johnson – Até agora, os chineses e os indianos meramente irritaram os americanos. Eles conseguem produzir novas idéias? Até o momento, nada provou que eles sejam capazes de inovar. Apenas avançaram em espaços já existentes. A China fez isso com sua indústria pesada, formada por fábricas ultrapassadas que produzem produtos baratos para exportação e garantem retorno rápido. A Índia, por sua vez, arranhou os Estados Unidos com um bem-sucedido comércio intercontinental de comunicação via call centers. Se a China e a Índia não produzirem novas idéias além dessas, vão estagnar, como o Japão.
Veja – Qual dos dois países tem mais chance de ser bem-sucedido em termos de crescimento?
Johnson – A Índia, porque é um país onde existe liberdade. Novas idéias somente emergem onde as pessoas são livres para pensar. Além disso, a Índia, apesar de ser uma sociedade de castas, tem uma elite fluente em inglês, o que permitiu ao país pular da era industrial para uma era de comunicação avançada. Bangalore, a capital indiana da alta tecnologia, é uma cidade totalmente imersa no século XXI. A Índia parece bastante atrasada devido a suas tradições, muito preciosas, por sinal, mas está criando as bases para um futuro formidável. O clima de liberdade privilegia o país.
Veja – Se a liberdade privilegia a Índia, como se explica o crescimento acelerado da China?
Johnson – A China conseguiu se livrar do legado terrível do marxismo primitivo de Mao Tsé-tung, mas não será um competidor à altura da Índia enquanto não desmantelar por completo seu sistema comunista. O país ainda depende do trabalho escravo, assim como de camponeses mal remunerados recém-chegados às cidades. Não está investindo o suficiente em alta tecnologia, a não ser a militar, erro já cometido pelos soviéticos. A China tem de substituir sua elite comunista por uma sociedade inovadora, com o seu próprio dinamismo de idéias, ou entrará em colapso. Se funcionar, será a grande lição da era moderna.
Veja – Enquanto a Ásia cresce, a América Latina continua presa aos problemas econômicos e sociais de sempre. Qual a explicação?
Johnson – O problema da América Latina está na sua origem histórica. A forma como foi colonizada, destrutiva e negativa desde o princípio, repercute até hoje na desorganização política, econômica e social. Não há estabilidade, o que acaba diminuindo a liberdade. O Brasil, por exemplo, desde o descobrimento nunca teve uma elite criativa e pragmática comparável à geração de George Washington e Thomas Jefferson nos Estados Unidos, gente capaz de organizar o país e direcioná-lo. Uma solução para melhorar o que está estragado é investir na educação. A educação permite a liberdade de idéias e o progresso. Bons exemplos são Coréia do Sul, Taiwan e Cingapura.
Veja – Como o senhor definiria um homem criativo?
Johnson – É impossível definir criatividade, assim como não se define genialidade. O estudo dos grandes criadores revela dois fatos. O primeiro é que ninguém cria no vácuo. Todas as civilizações evoluem de sociedades anteriores. Também ninguém vira um grande criador por sorte. Todo ato criativo, mesmo quando ele surge num lampejo, é fruto de muito trabalho, estudo e conhecimento.
Veja – Quem o senhor apontaria como uma pessoa de extrema criatividade?
Johnson – William Shakespeare, sem dúvida nenhuma, é a pessoa mais criativa da história. Esse dramaturgo inglês do século XVI alcançou o entendimento da personalidade humana em todas as suas manifestações, da forma como o ser humano interage em todas as situações possíveis. Era dono de uma imaginação de altíssimo nível, bem como de uma habilidade com as palavras até hoje nunca igualada.
Veja – Ao falar sobre o próximo livro de sua trilogia, Os Heróis, o senhor disse que o Ocidente precisa urgentemente de pessoas com esse perfil. Por quê?
Johnson – Os heróis inspiram, motivam e, no mínimo, legitimam uma guerra que está sendo travada. Eles nos ajudam a distinguir o certo do errado e a compreender os méritos morais da nossa causa. Não existe ninguém hoje no Ocidente com esse perfil. Já o Oriente Médio tem seus heróis. Osama bin Laden, por exemplo. Por mais monstruoso que possa ser, ele encarna a figura do herói. É líder de milhares de muçulmanos, escapou do mais poderoso Exército do planeta e inspira centenas de seguidores. Faz parte de um grupo que convence jovens a se explodir por uma causa. Esses jovens, por sua vez, também se transformam em heróis aos olhos do mundo. São pessoas que tiram a própria vida para lutar contra os tanques israelenses. Isso faz com que muitos observadores da guerra ao terror se sensibilizem com a causa islâmica.
Veja – Quem o senhor citaria como herói do Ocidente?
Johnson – O último herói americano foi Ronald Reagan. Na Inglaterra, Margaret Thatcher. Na Igreja Católica, João Paulo II. Todos foram grandes líderes, com características de heróis. Provavelmente estarão em meu próximo livro.
Veja – Ronald Reagan?
Johnson – Sim. Muita bobagem foi escrita sobre ele. Reagan era um homem de pensamentos claros e determinado em seus objetivos. Tinha poucos méritos acadêmicos, mas era um orador de primeiríssima linha. Enfatizou a necessidade da democracia e dos direitos humanos. A história mostra que os melhores líderes políticos são exatamente assim. Têm poucas idéias, mas elas são muito bem executadas. Assim foram Winston Churchill, Charles de Gaulle e Margaret Thatcher.
Veja – O presidente Bush tem chance de ser visto como um herói?
Johnson – Bush é um bom administrador, com um forte poder de decisão. Mas tem uma imagem pública excepcionalmente ruim.
Veja – O senhor defendeu a invasão do Iraque em 2003. Os resultados desastrosos dessa guerra o fizeram mudar de opinião?
Johnson – Não encaro os resultados como desastrosos. Ao destruírem os regimes perversos do Afeganistão e do Iraque, prenderem seus líderes ou transformá-los em fugitivos, os Estados Unidos estão mandando uma mensagem importante para outros ditadores violentos e perigosos, como o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que insiste no enriquecimento de urânio e, além de tudo, propaga mentiras anti-semitas.
Veja – Por que o presidente iraniano parece não temer os Estados Unidos?
Johnson – O presidente iraniano tem como modelo Adolf Hitler. O que aconteceu com Hitler? O perigo do avanço em programas nucleares e na produção de armas de destruição em massa em países do Oriente Médio existe e precisa ser combatido pelos americanos. Só os Estados Unidos podem conter o Irã, talvez com alguma ajuda da Inglaterra, caso Tony Blair permaneça como primeiro-ministro. O resto da Europa é totalmente inútil e dispensável.
Veja – A política externa dos Estados Unidos provocou o crescimento do antiamericanismo, principalmente na Europa. Como europeu, o que o senhor acha disso?
Johnson – Justamente por ser europeu, posso afirmar que o antiamericanismo na Europa meramente reflete a frustração e a fraqueza européias. A inveja da América tornou-se um aspecto importante da política externa européia, principalmente na França e na Alemanha. Os franceses acreditam que são uma nação culturalmente superior e que os Estados Unidos querem se impor na Europa. Acreditam que Bush e os americanos são ignorantes. A história mostra que não é assim. Os americanos são bons políticos e geopolíticos. A Constituição americana tem 200 anos. Nesse tempo, a França teve mais de uma dezena de Constituições, passou por monarquias, impérios e repúblicas. Não há dúvidas de que existe inveja de um lado do Atlântico, mas também existe o perigo de arrogância do outro. Essa inveja também tem fundamento na falência européia. A Europa vem apresentando um péssimo desempenho desde os anos 60 por causa do crescimento da burocracia, com altas taxas de desemprego e estagnação econômica. Os Estados Unidos, ao contrário, cresceram nos últimos 25 anos e continuam a crescer.
Veja – Não é natural que a opinião pública mundial se escandalize ao saber de abusos cometidos por militares em prisões no Iraque ou das condições extremas em que vivem os detidos na base de Guantánamo?
Johnson – Os Estados Unidos encabeçam uma guerra internacional contra a violência. Acabarão por vencê-la. A prisão de Guantánamo foi criada com base numa interpretação sem precedentes da lei militar por causa de uma ameaça sem precedentes. Apesar das críticas, o sistema de justiça de Guantánamo tem sido uma forma de dissuadir jovens muçulmanos que estavam decididos a tomar partido nessa guerra. Esses jovens não temem nem o martírio nem a morte, mas eles temem ficar trancados nessa prisão.
Veja – Em um artigo, o senhor escreveu que o homem tem uma capacidade enorme de arrumar problemas que inundam o mundo de ansiedade e que a atual preocupação com o meio ambiente é um exemplo disso. O senhor não teme o fim do mundo?
Johnson – Se eu temesse o fim do mundo, estaria me contrariando. Seria uma prova de que não acredito na força criativa. O Homo sapiens tem menos de 1 milhão de anos. A Revolução Industrial ocorreu há 250 anos. A bomba atômica existe há meio século. Os avanços têm acontecido de forma muito rápida, numa velocidade inimaginável. Mais de 100 milhões de pessoas morreram no século passado vítimas de regimes totalitários, mas não foi por isso que as populações deixaram de se expandir. Acreditar que o homem é incapaz de superar obstáculos, sejam eles naturais ou não, é esquecer todo esse progresso. A história prova o contrário: que temos habilidade e criatividade para vencer os desafios que nos são impostos. Temos de aproveitar as riquezas do nosso planeta e contar com a ajuda divina.
Veja – O senhor parece otimista com a realidade. Por que recorrer à ajuda divina?
Johnson – Ela é sempre necessária. Hoje, mais do que nunca.




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Mais um teste

Teste

1)Teste sua honestidade mais seja honesto contigo mesmo..
1) Você encontra uma pasta com um monte de dólares dentro. Pelos documentos encontrados junto, você vê que a pasta pertence a um traficante internacional, que foi preso há poucos dias. Você:a) devolve a pasta à políciab) quer devolver o dinheiro, mas acha que a polícia não é confiável e prefere doar pra uma entidade que pesquisa a cura para a AIDS100%Negativa(c) decide que achado não é roubado, ainda mais de um traficante, e fica com a grana 2) Um professor esquece as respostas de uma prova sobre a mesa. Você precisa passar neste curso e está por um fio no semestre. Você: a) coloca o material em um envelope sem olhar e devolve ao professor.b) dá uma olhada rápida, apenas para comprovar que você está por dentro do assunto, então devolve ao professor100%Negativa (c) aproveita que a máquina de xerox fica bem ao lado e faz uma copiazinha pra você e para a garotada 3) Você trabalha em uma empresa e descobre que um gerente está desviando uma grana pra conta dele. Você: a) denuncia para a empresab) diz pro cara parar com isso ou você denuncia para a empresa100%Negativa( c) diz pro cara que sabe de tudo, e que tudo bem, desde que ele divida meio a meio com você 4) Você é um(a) jogador(a) de vôlei, e fez o maior sucesso na última temporada. Você já prometeu ao presidente do seu clube que vai renovar pro ano que vem. Neste instante uma multinacional vem e oferece um monte de dinheiro (um monte mesmo) pra você mudar de clube. Você se sente comprometido com o atual clube, mas este dinheiro significa a sua segurança econômica pra sempre. Você: a) diz que sente muito, mas já deu a sua palavra e agora não pode voltar atrás.b) diz pro presidente do seu clube que vai manter o compromisso, desde que eles cubram a proposta da multinacional100%Negativa (c) lembra que não assinou contrato nenhum com seu clube, e aceita a proposta da multi 5) Você está vendendo o seu automóvel, que infelizmente tem esse problema com o motor, que ninguém vai perceber se você não falar. Você: a) conta para os interessados no carro que ele pode fundir o motor a qualquer hora dessas.b) deixa o cara comprar o carro para então avisar que uma revisão completa do motor poderia ser uma boa idéia100%Negativa (c) não fala nada, e deixa o mané descobrir por conta própria. 6) Você coloca toner demais e explode a máquina de Xerox do escritório. Seu chefe vai querer o fígado do culpado. a) Você vai lá e diz que a responsabilidade é sua, que descontem o prejuízo do seu saláriob) você não fala nada, e torçe pra eles acharem que a máquina endoidou sozinha100%Negativa (c) você deixa a coitadinha que faz café levar a culpa. 7) Você trabalha num restaurante de beira de estrada, no meio do deserto, a 500 km da cidade mais próxima. Aparece um gringo que só tem dólares, nenhum real. O cara está morto de fome. Você: 100%Negativa(a) prepara um churrasco esperto pra ele, e explica que, com a escassez de carne o churrasquinho sai pela bagatela de 150 dólares. Com direito a uma saladinha legal.b) você diz pra ele que só trouxa viaja sem dinheiro local. Cobra vinte pelo churrasco e mais 10 pelo conselho.c) você cobra o preço do cardápio e faz um cambio na base do um pra um, pro sujeito ver que brasileiro é gente fina. 8) Você dirige taxi e precisa muito da grana que ganha, porque a sua mãe está entravada, o seu pai é chegado num trago e seu cachorro só come Bonzo com champigon. Entra um cara com o maior jeito de quem chegou do interior e nunca viu cidade grande. Você: 100%Negativa (a) aproveita que ele não conhece a cidade e leva o sujeito pra um city tour sem ele ter pedido, porque afinal o caminho mais curto entre dois pontos é aquele que faz o taxímetro trabalhar pra caramba.b) você dá só uma voltinha pra completar a grana do dia.c) você leva o cara direto pro endereço que ele pediu e ainda recusa a gorgeta porque o sujeito tem cara de pobre-coitado. 9) Seu pai pede pra você pagar uma conta de dez reais e lhe entrega por engano uma nota de cem. Você: a) dá os noventa de troco e diz pra ele ter mais cuidado no futuro100%Negativa(b) dá cinquenta de volta e diz que os caras deram um desconto porque você é um sujeito tão legal.c) diz pra ele que esqueceu a grana pro ônibus, mas tudo bem, família é família. 10) Um turista acidental pergunta a você se "essa é o caminha mais curto para o praia?" Você: ( a)diz que sim, mas acha que não precisa dizer pra ele que lá pelo meio do caminho a bandidagem toda da vizinhança aproveita turista pra treinar a pontariab) diz que sim, que o cara pode ir por aí, mas que você recomenda que ele não baixe de 120. 100%Negativa( c) avisa o coitado que ele veio sem colete à prova de balas, e recomenda a estrada certa, que pode ter uns 30 km a mais, mas pelo menos vai mesmo até a praia.

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Celuares




Marcelo Resende!

“Jornal da TV!”, atualmente com a Rita Lisauskas. Segunda a Sexta e Sábado
com nossa querida Rita Rede Tv! jornalismo que fala tudo parabéns a
emissora por tão rica Equipe.Especialmente ao Marcelo Resende.Marcelo Deus
que lhe de bastante saúde para você continuar como você é..


Dias atras houve uma descarga elétrica em minha casa (Raio) e queimou do telefone sem fio a TV.Praticamente houve uma perda total de tudo.Como aqui onde moro não pega a rede TV no UHF.Meu pai teve que se virar para achar um receptor de parabólica para mim não perder o programa de Luisa Mel e logicamente a REDE TV.Meu pai é super fã do Marcelo Resende e da Rita e de todos os demais da rede.. Outro fato que me chamou muito atenção foi dos telefones que explodiram o unico que teve peito de falar que os mesmo era da marca Motorola e as baterias não eram muambas eram originais
Por que o celular explode?
Agência EstadoPor que o celular explode?
Por Kátia Arima
As notícias recentes sobre explosão de celulares são preocupantes. Na semana passada, ocorreu o quinto acidente desse tipo no Brasil em um período de dois meses. Todos envolveram celulares da marca Motorola.
A estudante Leiva Evangelista da Silva, moradora de Planaltina (DF), sofreu graves ferimentos por causa do celular, que explodiu enquanto ela dirigia.
Ainda não há laudos conclusivos sobre esses acidentes. Especialistas não podem dizer a causa das explosões sem fazer uma análise no material. Mas podem afirmar categoricamente que, quando uma bateria não passa por testes de qualidade ou sofre com situações de má conservação, os riscos de explosão do celular aumentam.
Rachaduras nas baterias de íon de lítio - as mais comuns nos celulares - aumentam a probabilidade de uma explosão, afirma Germano Tremiliosi Filho, professor de físico-química do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP).
Essas rachaduras, mesmo que milimétricas, permitem a entrada de água na bateria. Em reação com o lítio, a água gera gases, que expandem o volume da bateria e causam a explosão em contato com o oxigênio. Segundo o professor, o aquecimento pode desencadear a explosão se houver entrado umidade pelas rachaduras. "Com choques e quedas, o celular fica com pequenas fissuras, por onde entra umidade, que pode vir do próprio suor do corpo", diz.
Tremiliosi recomenda cuidados para não causar fissuras na bateria. "De preferência, compre uma nova bateria a cada dois anos e evite produtos piratas, de procedência desconhecida", diz.
Baterias de qualidade passam por muitos testes e têm um pequeno circuito de proteção contra problemas causados por temperatura alta, curto-circuito e sobretensão, explica a pesquisadora em Telecomunicações do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Maria de Fátima Rosalem. "Nas baterias de má qualidade, esse componente pode funcionar mal ou nem existir", afirma. "Não é à toa que elas são mais baratas."
Os recarregadores piratas também podem trazer problemas, alerta Fátima. "Cada bateria agüenta até um limite de tensão e corrente. Não pode receber mais que isso", diz.
É importante também impedir o contato de objetos metálicos com o celular, afirma a pesquisadora. Isso porque há aparelhos que têm terminais metálicos expostos. "Se encostar um grampo ou uma chave aí, pode dar um curto-circuito e dar uma reação", afirma.
Não só os celulares usam baterias de lítio. Máquinas fotográficas, por exemplo, também usam e merecem o mesmo cuidado.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está preparando uma regulamentação que tornará obrigatória a certificação de baterias de íon de lítio, utilizadas em celulares. Com isso, a Anatel pretende reduzir o comércio de baterias de má qualidade.
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Um telejornal dinâmico, moderno e crítico
ancorado por Marcelo Rezende, um dos principais nomes do jornalismo
nacional. Análise dos fatos com credibilidade, leva ao telespectador um
produto diferenciado

De acordo com Lynne Moritz, professora da Escola de Medicina da Universidade de St. Louis e presidente da Associação Psicanalítica Americana, Freud 'nos ajuda a encontrar significados e motivações profundos'. Significados profundos são exatamente o que algumas pessoas querem extrair da vida. A possibilidade de intervir diretamente no cérebro por meio de remédios promete tornar a psicanálise dispensável. Mas pacientes respondem de forma diferente e, para alguns, a combinação de remédio e terapia parece funcionar melhor. Moritz afirma que em alguns casos, como adolescentes com distúrbio de personalidade limítrofe, a análise ainda é o tratamento a ser escolhido. Quanto ao próprio Freud, ele mesmo passou por uma curta fase em que defendeu o uso de drogas. Infelizmente, a droga defendida era a cocaína.
Nos anos 50, a análise era um símbolo de status e sinal de sofisticação, papel exercido hoje pela cirurgia plástica. Mas ainda é um luxo valorizado para aqueles com tempo e dinheiro para corresponder à ordem do Oráculo de Delfos: 'Conhece-te a ti mesmo'. É o caso de uma paciente do grupo de Moritz, casada, de 40 e poucos anos, mulher de classe média alta e bem-educada, com uma vida tranqüila e satisfatória. 'Decidi que tenho uma vida boa, mas poderia ser melhor', diz ela. No trabalho, ela se mostrava muito ansiosa por agradar, assumindo mais do que podia dar conta. Com a família, sentia necessidade de reprimir o lado brincalhão e o senso de humor. Muita gente não acharia necessário dedicar quatro horas por semana durante quatro anos para resolver esses problemas. Mas, para ela, vale a pena. 'Faz com que você examine a sua vida, entenda de onde vêm suas atitudes e crenças', diz. 'Estou muito mais feliz agora. É preciso confrontar as partes de você mesmo que são dolorosas ou vergonhosas e difíceis de encarar. A doutora Moritz faz perguntas que me levam a mergulhar mais fundo em mim mesma.'
Freud mesmo passou por uma curta fase em que defendeu o uso de drogas. Infelizmente, a droga defendida era a cocaína
Isso, é claro, é a essência da técnica de Freud, um homem intoxicado pela viagem da descoberta interior. Vê-se isso em seu livro Psicopatologia da Vida Cotidiana, quando ele discute um encontro com um jovem que não consegue se lembrar da palavra latina aliquis (alguém). Freud usa a técnica da livre associação, sua marca registrada (diga-me a primeira coisa que vier a sua cabeça), para revelar uma ligação com 'líquido', daí a 'sangue' e à revelação de que o jovem estava preocupado com uma mulher com quem tinha mantido relações, pois ela estava com a menstruação atrasada. Que proeza! Será que diminui nossa admiração a revelação do historiador Peter Swales, de que provavelmente o lapso de memória foi do próprio Freud, e que a mulher era Minna Bernays, irmã da mulher de Freud? Bem, não para Lear. Sua reação é: 'Não me importo nem um pouco. É de imaginar que alguém na posição de Freud tenha mudado a História dessa forma, mas não é muito importante para nossa admiração por seu trabalho'.
Se Einstein tivesse um caso com sua cunhada, isso não mudaria o que achamos sobre a velocidade da luz. Mas é Freud! Seus próprios pensamentos e emoções eram precisamente a matéria-prima de onde ele derivava muitas de suas teorias. Ele fascina mesmo aqueles que construíram sua reputação denunciando-o, como Frederick Crews, da Universidade da Califórnia em Berkeley. Explicando o interesse duradouro por Freud, ele afirma: 'Humanistas acadêmicos acham que, ao entrar no mundo freudiano de símbolos interligados e de afirmações causais fáceis, nunca vão sentir falta de coisas aparentemente perspicazes para dizer em seus livros e ensaios'. Como se isso fosse ruim! Não precisamos todos de vez em quando de uma desculpa para parecer inteligentes?
'Fazemos referência a Freud quando chamamos alguém de 'passivo-agressivo'', diz Kramer. 'Não sei como alguém expressava essa idéia há cem anos.' No entanto, nem todo mundo se convence com esse argumento. 'Shakespeare conseguiu dizer muitíssimo sobre a natureza humana sem o vocabulário fornecido pela psicanálise', afirma Patrícia Churchland, da Universidade da Califórnia, San Diego, uma importante filósofa da consciência. Ela diz que a linguagem da análise está sendo substituída na cultura popular pelo jargão da neurociência. As pessoas, hoje, falam sobre 'liberar endorfinas'.
Nas esferas da política, do esporte e de negócios, Freud é o que menos importa. Quando o presidente George W. Bush disse que não 'iria para o divã' por suas decisões sobre o Iraque, Jerry Sulkowicz, professor de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, escreveu ao The New York Times protestando contra a sugestão de que 'não entender a si mesmo é motivo de orgulho'. Sulkowicz conhece bem a atitude. Ele é consultor de CEOs e luta diariamente para enfiar alguma introspecção na cabeça de seus clientes. 'Há tanta ênfase em execução e ação no mundo dos negócios que tento explicar que ação e reflexão não são mutuamente excludentes', diz. As percepções de Freud sobre o irracional e o inconsciente têm utilidade corporativa. Até executivos de alto escalão podem trazer problemas de transferência para dentro do escritório, procurando no chefe a aprovação que um dia desejaram de seus pais. Os escritos de Freud sobre dinâmica de grupo e rivalidade entre irmãos podem se aplicar bem a um CEO que pense, acrescenta Sulkowicz.
Na sombra, a ponta do charuto agita-se para cima e para baixo. 'Americanos!' Ele parece estar pensando. 'Uma multidão ávida por dinheiro, eles fazem com que eu tema pelo futuro da civilização. Deveria ter dito isso a eles quando pude.'
30% dos americanos crêem que os problemas psicológicos têm raízes na infância
Freud escreveu pouco sobre os Estados Unidos, mas sua atitude sobre eles fica clara em umas poucas frases no clássico O Mal-Estar na Civilização, publicado em 1930. O livro é uma meditação psicológica sobre o contrato social: a troca do instinto humano natural de agressão e dominação sexual pela segurança e pelo conforto da sociedade civilizada. Na visão de Freud, não é uma troca fácil. Os instintos são poderosos e reprimi-los cria conflitos inconscientes - o que Lear descreve como a 'idéia central' do pensamento freudiano.
Essa é a fonte da doença que não podemos nomear e jamais será realmente curada, porque está cravada na condição humana. Não é por acaso, diz Lear, que a reputação de Freud esteve tão em baixa nos anos 1990, auge do otimismo do pós-Guerra Fria que fez O Fim da História, de Francis Fukuyama, se tornar best-seller. Fukuyama previu que o fim da União Soviética abriria caminho para o triunfo da liberaldemocracia no mundo - idéia que desmoronou numa manhã ensolarada de setembro de 2001.
'Somos sempre suscetíveis à ilusão de que esses problemas não são nossos', diz Lear. 'O fim da História foi uma esperança de que a dinâmica do conflito humano tivesse acabado.' O que Freud tem a dizer, e que vale ser ouvido mesmo que a análise nunca mais cure outro paciente, é que a História nunca vai acabar. Porque é feita por seres humanos

KANDELPesquisador defende união entre psicanálise e biologia
Ganhador do Prêmio Nobel de Medicina quer aliar as idéias de Freud e a neurociênciaEm 2000, Eric Kandel, professor da Universidade Columbia e pesquisador do Howard Hughes Medical Institute, ganhou o Prêmio Nobel por seu trabalho sobre aprendizado e memória. A primeira paixão de Kandel foi a psicanálise, e ele é um dos principais defensores da fusão entre a neurociência e a psicologia, há muito tempo divididas. Seu livro sobre o assunto, Em Busca da Memória, chegou às livrarias americanas em março. Kandel, de 76 anos, conversou com Claudia Kalb, da Newsweek.
Claudia Kalb - Como Freud se sustenta?EricKandel - Acho que ele é um gigante. Extremamente inteligente, perspicaz e imaginativo. Há coisas que ele disse e não se sustentam. Sua visão sobre a sexualidade feminina estava errada. Mas ele nos forneceu um retrato rico e cheio de nuanças sobre a complexidade da vida mental. É um dos maiores pensadores do século XX.
Kalb - Quais são suas maiores contribuições?Kandel - Muito do que fazemos é inconsciente. Essa é uma revelação que vem em grande parte de Freud. O fato de que sonhos têm significado psicológico, de que crianças são indivíduos ativos e pensantes, que têm experiências sensuais assim como experiências dolorosas, isso também vem de Freud. O fato de que ouvindo um paciente cuidadosamente você pode perceber muito do que o inconsciente está dizendo. Isso tudo é revolucionário.
Kalb - A psicanálise ainda é relevante?Kandel - O problema da psicanálise, que é um problema profundo, não é Freud. As gerações subseqüentes não conseguiram torná-la uma ciência mais rigorosa, baseada nas ciências biológicas. A psicanálise como forma de terapia entrou em declínio porque consome muito tempo e dinheiro e, o mais importante, as pessoas não têm mais certeza se funciona ou não. Acho que vai acabar se a comunidade psicanalítica não fizer um esforço sério para verificar os conceitos e mostrar os aspectos da terapia que funcionam, em que condições, para que pacientes e com quais terapeutas. Precisamos olhar para a eficácia biológica de todos os tipos de psicoterapia, da mesma forma que fazemos com os remédios. Isso é o que devemos buscar nos próximos 15 anos. Se conseguirmos, vai haver uma revolução nesse campo. Afinal de contas, Freud sempre dizia que algum dia no futuro teríamos de juntar a psicanálise e a biologia da mente.
Kalb - Quando começou seu interesse pela psicanálise?Kandel - Quando eu tinha uns 20 e poucos anos. Tinha um grande apelo como aventura intelectual. Era uma forma de compreender a mente humana, as aspirações, o processo mental inconsciente, desejos, sonhos. Fui para a faculdade de Medicina querendo me dedicar apenas à psicanálise.
Kalb - O senhor disse ao grande neurobiólogo Harry Grundfest que queria encontrar o ego, o id e o superego durante seu estágio de seis meses no laboratório dele. Em que estava pensando?Kandel - Eu era um idiota. Achar que cada uma dessas estruturas mentais complexas tinha uma localização única e que eu poderia encontrá-las em seis meses era um absurdo. Aprendi a ser mais realista. Grundfest colocou em minha cabeça que o cérebro precisava ser analisado uma célula de cada vez.
Kalb - O senhor percorreu um longo caminho. Sobre o que é seu novo livro?Kandel - Meu livro tem duas finalidades. A mais importante é ser uma introdução para o leitor leigo à nova ciência da mente e à explosão que ocorreu na neurobiologia dos processos mentais nos últimos 50 anos. O segundo tema é minha vida e trabalho - como me interessei pelo problema da memória e como tirei proveito e, em um grau modesto, participei dessa revolução.
Kalb - Como será o futuro?Kandel - O futuro da neurociência é brilhante. O perigo é que nós estamos no pé de uma cadeia de montanhas que as pessoas pensam que já escalamos. É uma montanha enorme. Vai levar um século.
Freud não está mortoO divã está em baixa, mas a cultura da psicanálise ainda nos envolve e a Ciência volta a considerar algumas de suas teorias. Por que Freud, o médico mais atacado da História, ainda nos cativa?
SIGMUND FREUDO criador da psicanálise morreu em 1939, mas continua alimentando filmes, livros e infindáveis discussões sobre repressão, inconsciente e complexo de Édipo
Estamos num momento crítico na história de nossa civilização: assediados por inimigos que buscam irracionalmente a morte e nos arrastam com eles, nosso destino está nas mãos de líderes que julgam ser uma virtude evitar a reflexão, nossa cultura está tomada por charlatães que não são nem de longe tão depravados quanto fingem ser em seus best-sellers. Se por um momento desviamos o olhar do autor que choraminga na TV, nosso olhar capta uma figura familiar nas sombras, sardônica e grave, com o cenho franzido. Ela parece dizer: 'Você gostaria que fosse fácil. Você quer enfiar a cabeça em uma máquina, tomar um comprimido, fazer uma confissão na televisão e estar curado antes do último comercial. Mas você nem sabe qual é a sua doença'.
Sim, é Sigmund Freud, ainda nos assombrando muito tempo depois de sua morte, em Londres, em 1939. O teórico que explorou um terreno vasto e novo da mente: o inconsciente, a incômoda masmorra de memórias dolorosas clamando para ser ouvidas e que, de vez em quando, escapam para o consciente por meio de sonhos, lapsos da língua e doenças mentais. O filósofo que identificou as experiências da infância - e não um determinante racial ou familiar - como marco inicial da personalidade. O terapeuta que inventou a psicanálise, desenvolveu a noção revolucionária de que doenças diagnosticáveis reais podem ser curadas por um método que data dos primórdios da civilização: falar. Não pela oração, por sacrifícios ou exorcismo. Não por remédios, cirurgias ou mudanças na alimentação, mas pela recordação e reflexão na presença de um profissional. Uma idéia que vai totalmente contra nosso temperamento tecnológico, mas que nem as montanhas de Prozac receitadas todo ano conseguem enterrar. Não são muitos os pacientes que ainda buscam a cura no divã do terapeuta quatro vezes por semana. Mas a proliferação de terapias que se baseiam na fala atesta o poder duradouro dessa idéia.
Freud, fonte contínua de assunto, que moveu rodas de conversa por um século. Sem Freud, Woody Allen seria insignificante. Haveria Édipo, mas não um complexo de Édipo. Como, então, as pessoas poderiam explicar em jantares por que o filho mais velho de George Bush estava tão decidido a derrubar Saddam? (Esse é um jogo de salão cujo pioneiro foi o próprio Freud, em sua análise sobre Napoleão, quando concluiu que a rivalidade com seu irmão mais velho, Joseph, fora a principal motivação de sua vida, explicando tanto sua paixão por uma mulher chamada Josephine como sua decisão de seguir os passos do José bíblico, invadindo o Egito.)
Nos EUA, Freud geralmente é levado mais a sério como figura literária que científica, ao menos fora dos 40 institutos que treinam psicanalistas. No ano passado, a revista Newsweek juntou, indiscriminadamente, Freud a Karl Marx como filósofo limitado a seu século, em contraposição à relevância intelectual contínua de Darwin. Por isso, num ato de expiação, e para fazer frente ao tsunami de palestras, seminários e publicações previstos para seu aniversário de 150 anos, no dia 6 de maio, a revista perguntou: Freud ainda está morto? Se não, o que o mantém vivo?
20% dos americanos já fizeram terapia. Apenas 4% continuam fazendo
É notável que ele ainda esteja vivo de alguma forma. Digitar seu nome num site de busca desencadeia uma torrente de denúncias que se iniciaram no momento em que ele começou a publicar seu trabalho, no século XIX. Apenas estar errado - como até seus partidários admitem que ele estava sobre muitas coisas - parece insuficiente para explicar as calúnias que motivou. Os freudianos invocam uma explicação freudiana. 'O inconsciente é terrivelmente ameaçador', diz Glen Gabbard, professsor de Psiquiatria do Baylor College of Medicine. 'Sugere que somos movidos por uma força que não podemos ver ou controlar, e isso fere profundamente nosso narcisismo.' A resistência da burguesia, horrorizada com um dos princípios básicos de Freud, que atribui às crianças uma vida de fantasia sexual, foi imediata. Não foi só a cultura ocidental que Freud escandalizou. O xeque Nayef Rajoub, do Hamas, explicou a necessidade de destruir Israel porque 'Freud, um judeu, foi quem destruiu a moral'.
A oposição veio também das feministas, que fazem questão de afirmar que não invejam o pênis de homem nenhum. É de conhecimento geral que as idéias de Freud sobre a sexualidade feminina - resumindo, que elas são homens incompletos - estavam tão erradas que, como seu insuspeito biógrafo Peter Gay afirma, 'se ele fosse reitor de Harvard, teria de renunciar' (em referência à renúncia do reitor Larry Summers depois de ter proferido um comentário considerado machista). O ponto mais baixo da reputação de Freud foi no início dos anos 90, quando mulheres apareciam em talk shows com relatos de abuso sexual infantil resgatados do inconsciente. A situação foi um impasse. Freud, é preciso admitir, deu munição para os dois lados da questão. Do lado dos pais e irmãos acusados, culparam-no por ter semeado a idéia de que a memória reprimida de um abuso era a causa de muitas neuroses adultas. Quem acreditou nos acusadores condenou-o por ter se rendido à pressão da comunidade, ao sugerir que muitas dessas memórias eram na verdade fantasias da infância. 'Mandar uma mulher para um terapeuta freudiano', disse na época a feminista Gloria Steinem, 'não é muito diferente de mandar um judeu para um nazista.'
A reputação de Freud mal começou a se recuperar. Depois da guerra sobre a memória reprimida, o vasto arquivo sobre Freud na Biblioteca do Congresso Americano foi aberto para os estudiosos. Os detratores encontram muitas coisas que confirmam o que diziam o tempo todo: que suas 'curas' eram produto do desejo de que tivessem dado certo ou de manipulação consciente, e que suas teorias se baseavam em um ralo de lógica circular. Esforços para validar a psicologia freudiana por meio de testes ou exames cerebrais, usando tecnologia por imagem, ainda estão no começo (leia a entrevista abaixo). 'Acho que ele não vai resistir', diz Peter D. Kramer, psiquiatra e autor do livro Ouvindo o Prozac. Kramer, que está escrevendo uma biografia de Freud com lançamento previsto para o ano que vem, afirma: 'Dizer isso é quase uma traição pessoal, mas cada um dos elementos está errado: a universalidade do complexo de Édipo, a inveja do pênis, a sexualidade infantil'.
Quantos golpes Freud pode agüentar? Jonathan Lear, psiquiatra e filósofo da Universidade de Chicago, identifica uma 'idéia central' sobre a qual a reputação de Freud repousa: que a vida humana é 'essencialmente conflituosa' e que o conflito fica escondido de nós porque se origina de desejos e instintos reprimidos porque nosso eu consciente não suporta reconhecê-los. Identificar e resolver esses conflitos seria função da análise. Todo o resto é, no final, negociável. Nem os seguidores mais ortodoxos de Freud defendem seu trabalho em todos os detalhes. 'Ele estava errado sobre muitas coisas', diz James Hansell, psicólogo da Universidade de Chicago. 'Mas errado de uma forma interessante. Foi o pioneiro de uma forma completamente nova de ver as coisas.'